2.10.08

Porque há imagens que valem por mil palavras...

Algures no meio da selva, Laos.
Angkor Watt, Cambodja.
A nossa boleia para deixar o Cambodja e entrar no Vietname, Rio Mekong.
Cidade de Ho Chi Mihn, antigamente conhecida por Saigão.
A dádiva do Arroz. Amanhecer, Laos.

13.9.08

Viajar é partilhar.

Viajar é partilhar.
Foi o que fizémos durante grande parte da nossa viagem. Mesmo com os atrasos típicos de quem nunca encarou o blogue como uma obrigação, partilhámos convosco a nossa viagem, a descoberta, a surpresa... partilhámos momentos que, por serem tão diferentes, nem têm descrição.

Por uma opção pessoal e também aliado ao facto de viajarmos por locais remotos no Nepal, Cambodja, Laos, Indonésia,..., África (onde a internet e até mesmo a corrente eléctrica são "luxos" ainda inacessíveis para as populações que aí vivem)... nestes últimos três meses que antecederam o nosso regresso decidimos fazê-lo só nós.

As Histórias do Mundo não acabaram, podem até ser publicadas num futuro próximo mas estas últimas semanas... foram apenas dos dois.

A todos os que nos acompanharam e que viajam connosco, muito obrigado!

Aproveitem os dias,

Clara e Miguel

31.5.08

Himalaias. 7 dias em viagem. Tibete - Nepal (7º Dia)

Enquanto nos preparávamos para o 7º e último dia desta viagem dentro da Viagem íamos pensando como seria viver com estas experiências - das melhores e piores de sempre: o Everest, o caminho, as pessoas… e os dias em Lassa, o pedido do passaporte na única ida à internet, ou quando ficámos presos - literalmente fechados a cadeado - no hotel de uma destas terras que vos mostrámos (e preferimos não dizer qual). Pensávamos nos muitos tibetanos que, ao longo do caminho e quando viam a pressão que a polícia exercia sobre o nosso grupo, se mostravam solidários e nos enchiam de esperança. Estávamos a um passo de chegar ao Nepal, onde podíamos finalmente dar voz ao silêncio, mas a deixar aquele povo para trás… Foram dias que, sem dúvida, transformaram a nossa vida.

A prepararmo-nos para o pequeno-almoço, ainda de noite.
Os Himalaias, visto de Tingri, ao amanhecer. A última imagem do Everest.

A sair de Tingri





A última grande passagem de montanha!

No meio dos Himalaias





A descer para o Nepal





Esta foi a estrada que já passámos na vida que provocou as maiores descargas de adrenalina na nossa corrente sanguínea (mais do que a A8!!). Foram as últimas fotografias que tirámos antes de chegar a Kathmandu, no Nepal. Devido a vários dias sem electricidade, com os cartões de memória cheios, baterias das máquinas descarregadas e uma tempestade com chuva torrencial, não temos fotografias que mostrem o resto deste longo dia. Depois desta estrada chegámos à fronteira, onde as autoridades chinesas não nos fizeram a vida fácil. Após mais de três horas, quinhentas mil perguntas e de terem revistado TUDO o que havia para revistar, lá conseguimos que todo o grupo tivesse o passaporte carimbado e autorização para passar a fronteira! A seguir as chuvas provocaram uma derrocada que bloqueou a estrada forçando-nos a outra espera de horas desta vez em terra de ninguém (entre o Tibete e o Nepal). Depois ainda passámos a parte pior e mais perigosa da estrada (com o Shumacher ao volante) numa carrinha de 9 lugares (segundo os parâmetros Nepaleses com capacidade para 20 pessoas!) até chegarmos ao Nepal. Após conseguirmos o visto e todas as formalidades estarem tratadas ainda tivemos que regatear por um carro particular que nos levasse até Kathmandu, pois a esta hora já não havia qualquer transporte público. Quando pensávamos que já só nos restavam 4 horas de viagem para descansarmos de tudo isto, fomos confrontados com a realidade deste País: bloqueios de estrada de 10 em 10 Km para tentar extorquir dinheiro por parte de milícias, civis, polícias e militares. Valeu-nos o Nazeem, o nosso condutor: o "tipo" com mais paleio do mundo que, sempre com um sorriso e falinhas mansas, nos levou até Kathmandu sem termos que ceder as estas pressões.
Foi um dia muito longo!




30.5.08

Himalaias. 7 dias em viagem. Tibete - Nepal (6º Dia)

O pequeno-almoço enquanto esperávamos pela resposta mais aguardada dos últimos dias:
- Irão as autoridades chinesas dar-nos permissão para entrar no Campo Base do Everest?

A primeira vez que vimos o Everest!

Ainda não chegámos ao Campo Base, mas o primeiro passo foi dado, após insistentes (muito insistentes) conversações.

Mais e difíceis negociações com os militares e a polícia chinesa. E o Campo Base ali tão perto...
Mais um obstáculo ultrapassado... Estamos quase...
Mais uma curva... Com o coração a mil...

Everest

Chegámos!!!!
Topo do Mundo! A maior Montanha do Planeta!
O Grupo LusoIsraeloFlamengo: Ken, nós, Ulriche, Steve, Renana e Ori.

O Cume.

Everest - Tingri (6º Dia de viagem pelos Himalaias)

Deixando o Campo Base.
O Everest sempre presente.
Os caminhos no tecto do Mundo.
As manadas de Yaks que nos iam acompanhando ao longo do caminho.

Everest - Tingri (6º dia de Viagem pelos Himalaias)

E agora? Será que passa?
O Kim a observar o terreno e a fazer contas de cabeça.
Vamos embora!
Desde que não pare não há problema nenhum!
Prova superada. Desta safámo-nos! Já só faltam umas trinta iguais!

Everest - Tingri (6º dia de viagem pelos Himalaias)




O melhor caminho para terminar um dia perfeito...

29.5.08

Himalaias. 7 dias em Viagem. Tibete - Nepal (5º Dia)

Primeiro bloqueio de estrada do dia, ao amanhecer, logo à saída de Shigatse, com os militares a controlarem tudo e todos.

Shigatse - Sayka

Vista sobre Rong Buk.


O dia-a-dia à volta do Templo de Sakay em Rong Buk.
Viajar é partilhar.

Sayka



Última aldeia onde dormimos antes do Everest.

28.5.08

Himalaias. 7 dias em Viagem. Tibete - Nepal (4º Dia)


Numa aldeia isolada entre Gyangtse e Shigatse.

Gyantse - Shigatse

Quotidiano da aldeia em que parámos para almoçar.
Mais um dos muitos postos militares de controle de passageiros e mercadorias, onde éramos constantemente mandandos parar e inspecionados ao longo de toda viagem.


Pormenores do caminho até Shigatse.

27.5.08

Himalaias. 7 dias em Viagem. Tibete - Nepal (3º Dia)

Forte de Gyangtse.
Vista sobre a cidade. Ao fundo o Mosteiro de Gyangtse rodeado por muralhas.
As cores do mercado contrastam com a aridez das montanhas.

Telhados Tibetanos. Na primeira fotografia o que vêem não são parabólicas! Como já viram no post anterior, são a tecnologia ecológica para aquecer a água usando directamente a energia solar.
Na segunda fotografia, antes de pensarem o pior, a cruz não é suástica! É um símbolo milenar budista que representa a Vida, a Felicidade e Paz. Irónico, não acham?

Pormenores


Verdadeiras pérolas descobertas dentro do Forte de Gyangtse!

26.5.08

Himalaias. 7 sete dias em viagem. Tibete - Nepal (2º Dia)

Samye, a aquecer o chá para o pequeno-almoço!
A primeira grande passagem de montanha: 5300m de altitude.


Lago Yamdrok-Tso.

25.5.08

Atravessando os Himalaias, Tibete - Nepal

Propomos o seguinte exercício:
Reviver os sete dias de viagem entre Lassa (Tibete) e Kathmandu (Nepal), em sete dias.

Assim, durante esta semana, editaremos sete reportagens, cada uma relativa a um dia da Viagem.
Esperamos, desta forma, partilhar convosco um pouco melhor o que vivemos, como se fizéssemos esta viagem juntos. Foram dias, imagens, sensações muito especiais e que não iremos esquecer.

Lassa a arder (Março de 2008)




Vivemos, durante estes dias de Março, sentimentos muito contraditórios. Se por um lado experimentávamos a euforia de viajar por alguns dos locais mais bonitos do Planeta, por outro éramos constantemente confrontados com a repressão e violência vivida pelo generoso e pacífico Povo Tibetano.
Sabíamos que Lassa estava a arder e interrogávamo-nos sobre como estariam os amigos que lá deixámos. A vida nunca foi fácil para eles, mas agora, após terem a enorme coragem de manifestarem a sua revolta, o que lhes terá acontecido?

(fotografias cedidas pelo Omer)

Himalaias. 7 sete dias em viagem. Tibete - Nepal (1º Dia)

Deitamos um último olhar a Lassa através do vidro sujo do carro, antes desta desaparecer no horizonte atrás das montanhas. À nossa frente estende-se a Friendship Highway que nos levará até Kathmandu no Nepal através dos Himalaias…

O caminho de Lassa a Samye.

Mosteiro de Samye, onde dormimos.

10.5.08

Potala, Lassa, Tibete


Peregrinos





A vista da nossa casa em Lassa




Retrato


Rostos do Tibete






Praça Principal de Lassa


Pormenores

Jorge, primo, atenção à concorrência! Se decidires optar pelo mesmo sistema de marketing não te esqueças dos queijos ao lado (de Azeitão, claro!).
Depois de nos observarem atentamente (agarrados às nossas pernas) a levantar dinheiro, esta foi a cena que se seguiu. Como não resultava chamaram-nos para os ajudar a fazer o mesmo milagre com a máquina que dá notas quando se carregam nos botões coloridos.
Polícias em Lassa na sua actividade preferida: o “catanço”.
A ASAE ainda não conseguiu autorização para entrar no Tibete!
O nosso amigo Omer a testar os pés de gato e a pensar: “já escalei vias mais fáceis!”


Aula de Inglês

Começou com uma pergunta informal e acabou numa explicação de Inglês.

Dois Olhares


Dentro do Potala.

Contrastes


Tibetanos




10 de Março de 2008, Mosteiro de Drepung, Tibete




A deixar Drepung.



A descer para Lassa.
Para relembrar as palavras e as imagens.

7.5.08

Chengu - Lassa

O nosso comboio. A nossa casa durante 48 horas...
... a sala de estar...
... o quarto...
... a sala de jantar, do almoco, do lanche, do pequeno-almoco...

... a varanda com vista panoramica onde podiamos respirar o ar puro dos 5000 metros de altitude.

Chengdu - Lassa (II)






Chengdu-Lassa (III)






27.4.08

China

Canto. Som. Vermelho.
Os dias que vivemos na China ultrapassam o tamanho das palavras. Não há recantos descobertos dentro do meu ser que abranjam o tamanho de uma descrição. Devolvo-me às palavras soltas, ao abrir e fechar de olhos. Como um filme de imagens recortadas ao acaso, sem ordem, sem preparação. Cru. Só com a força dos pedaços soltos que acontecem.
Dragão. Fogo. Luz.
No meio de uma multidão que não nos esmagava. A viver a experiencia do lado contrário. Milhares de máquinas fotográficas paradas no espanto. Porque éramos nós a diferença. Queriam guardar-nos num retrato. O Dragão dançava o conhecido, a música e a festa cantavam felicidades repetidas. Nós. Nós tínhamos pêlos e olhos redondos, éramos altos como saídos de um filme. Abraços e sorrisos envolviam-nos com cuidado para não nos transformarmos num nada. Uma espiral de emoções apagava a necessidade de falarmos a mesma lingua. Éramos apenas aquele momento diluído de surpresa.
Toque. Cheiro. Passagem.
Pelo meio de ruas cobertas de pessoas, passos e fumo. A noção da individualidade perde-se no íntimo de cada um. Não há espaço livre, não há um cheiro conhecido, não há um sinal que os nossos olhos reconheçam. Deixamo-nos seguir pelo meio. Uma discussão sobe o tom de um canto, imaginamos facas e sangue, choros e corpos deitados ao chão. Esperamos o pior… Despedem-se com gargalhadas curvas e barrigas cheias de riso. Não temos tempo para nos sentir perdidos. No instante em que julgávamos a nossa interpretação alguém nos dava algo para a mão. Comida ou objecto? Experimentamos ou guardamos no bolso? À nossa frente um homem mínimo esperava a acção. Comemos. O sabor doce do desconhecido junta-se ao sorriso do vendedor. O que seria?
Medo. Curiosidade. Voz.
Numa estação de comboios onde as pessoas esperam por um dia que não sabem se será o seguinte. Juntas, apagadas pelo frio e por uma solidão profunda que se prolonga até aos nossos olhos sem uma palavra. Transformam as nossas cores num cinzento-escuro que nos atravessa o corpo e nos corta pedaços. À medida que passamos ficam espalhados pelo chão. O mesmo onde se sentam e dormem e esperam. Entrámos no comboio vazios de nós.
- O que é isso? – um estudante do quarto ano da Universidade, companheiro da longa viagem.
- Um saco-cama.
- Estou confuso… para que serve?
Como se explica o conforto, a suavidade?
Caos. E novidade sem fim.
Atravessar uma estrada, entrar num autocarro, perguntar onde estamos, saber o que comemos. Gestos simples são elevados à incompreensão. E nós, caídos num mundo novo e sem preparação, descobrimos vozes que estão para além da palavra. Aprendemos uma nova linguagem. A da existência.
C.
(publicado no Miniscente no dia 10 de Março)

Festa do Ano Novo Chinês em Chengdu






Após a dança do Dragão

Não deixa de ser estranho quando somos nós os estranhos.

Buda Gigante de Leshan, China

O maior Buda sentado do mundo.




Leshan

Já vi estes dois em qualquer lado...

Leshan



Mahjong



Enquanto o Miguel fotografava eu viajava pelas memórias da minha família paterna. Este jogo sempre juntou gerações. E histórias. Repetidas ou acabadas de acontecer, verdadeiras ou com alguma invenção. Havia espaço. Para dizer o que quiséssemos. Ia andando pelas mesas. Pelas diferenças. Jogam sem honras, ventos ou flores no meio de uma muralha diagonal. Jogos rápidos, a dinheiro, com pongs, kongs e xaus de silêncios triunfantes. Mas o som… o som das peças é o mesmo. Juntam as teorias da Tia Zé, do chinezinho que indicava o Norte, a um intervalo para beber chá chinês, juntam os jogos bonitos da Tia Ida às mãos enrugadas que espalham o jogo. Juntam conversas. Juntam gerações. E contam histórias. Verdadeiras ou com alguma invenção. Mas com uma intimidade que ultrapassa os lugares do mundo.

Quingyang Gong (Green Ram Monastery Park)





Mais pormenores

"Escorregue com Cuidado"?!?


Alguém nos pode dizer que espécie de peixe é esta? Piscis Peludus?

A verdadeira chamada divina.


O Coração de Chengdu






Dia-a-dia na Cidade

Damas Chinesas.

O meio da estrada: onde tudo acontece.

Praça Tianfu, o Centro de Chengdu