2.10.08
Porque há imagens que valem por mil palavras...
13.9.08
Viajar é partilhar.
Viajar é partilhar.
Foi o que fizémos durante grande parte da nossa viagem. Mesmo com os atrasos típicos de quem nunca encarou o blogue como uma obrigação, partilhámos convosco a nossa viagem, a descoberta, a surpresa... partilhámos momentos que, por serem tão diferentes, nem têm descrição.
Por uma opção pessoal e também aliado ao facto de viajarmos por locais remotos no Nepal, Cambodja, Laos, Indonésia,..., África (onde a internet e até mesmo a corrente eléctrica são "luxos" ainda inacessíveis para as populações que aí vivem)... nestes últimos três meses que antecederam o nosso regresso decidimos fazê-lo só nós.
As Histórias do Mundo não acabaram, podem até ser publicadas num futuro próximo mas estas últimas semanas... foram apenas dos dois.
A todos os que nos acompanharam e que viajam connosco, muito obrigado!
Aproveitem os dias,
Clara e Miguel
31.5.08
Himalaias. 7 dias em viagem. Tibete - Nepal (7º Dia)
Enquanto nos preparávamos para o 7º e último dia desta viagem dentro da Viagem íamos pensando como seria viver com estas experiências - das melhores e piores de sempre: o Everest, o caminho, as pessoas… e os dias em Lassa, o pedido do passaporte na única ida à internet, ou quando ficámos presos - literalmente fechados a cadeado - no hotel de uma destas terras que vos mostrámos (e preferimos não dizer qual). Pensávamos nos muitos tibetanos que, ao longo do caminho e quando viam a pressão que a polícia exercia sobre o nosso grupo, se mostravam solidários e nos enchiam de esperança. Estávamos a um passo de chegar ao Nepal, onde podíamos finalmente dar voz ao silêncio, mas a deixar aquele povo para trás… Foram dias que, sem dúvida, transformaram a nossa vida.
A prepararmo-nos para o pequeno-almoço, ainda de noite.
A descer para o Nepal
30.5.08
Himalaias. 7 dias em viagem. Tibete - Nepal (6º Dia)
- Irão as autoridades chinesas dar-nos permissão para entrar no Campo Base do Everest?
A primeira vez que vimos o Everest!
Ainda não chegámos ao Campo Base, mas o primeiro passo foi dado, após insistentes (muito insistentes) conversações.
Everest - Tingri (6º Dia de viagem pelos Himalaias)
Everest - Tingri (6º dia de Viagem pelos Himalaias)
29.5.08
Himalaias. 7 dias em Viagem. Tibete - Nepal (5º Dia)
28.5.08
Gyantse - Shigatse
27.5.08
Himalaias. 7 dias em Viagem. Tibete - Nepal (3º Dia)
Na segunda fotografia, antes de pensarem o pior, a cruz não é suástica! É um símbolo milenar budista que representa a Vida, a Felicidade e Paz. Irónico, não acham?
26.5.08
Himalaias. 7 sete dias em viagem. Tibete - Nepal (2º Dia)
25.5.08
Atravessando os Himalaias, Tibete - Nepal
Propomos o seguinte exercício:
Reviver os sete dias de viagem entre Lassa (Tibete) e Kathmandu (Nepal), em sete dias.
Reviver os sete dias de viagem entre Lassa (Tibete) e Kathmandu (Nepal), em sete dias.
Assim, durante esta semana, editaremos sete reportagens, cada uma relativa a um dia da Viagem.
Esperamos, desta forma, partilhar convosco um pouco melhor o que vivemos, como se fizéssemos esta viagem juntos. Foram dias, imagens, sensações muito especiais e que não iremos esquecer.
Esperamos, desta forma, partilhar convosco um pouco melhor o que vivemos, como se fizéssemos esta viagem juntos. Foram dias, imagens, sensações muito especiais e que não iremos esquecer.
Lassa a arder (Março de 2008)



Vivemos, durante estes dias de Março, sentimentos muito contraditórios. Se por um lado experimentávamos a euforia de viajar por alguns dos locais mais bonitos do Planeta, por outro éramos constantemente confrontados com a repressão e violência vivida pelo generoso e pacífico Povo Tibetano.
Sabíamos que Lassa estava a arder e interrogávamo-nos sobre como estariam os amigos que lá deixámos. A vida nunca foi fácil para eles, mas agora, após terem a enorme coragem de manifestarem a sua revolta, o que lhes terá acontecido?
Sabíamos que Lassa estava a arder e interrogávamo-nos sobre como estariam os amigos que lá deixámos. A vida nunca foi fácil para eles, mas agora, após terem a enorme coragem de manifestarem a sua revolta, o que lhes terá acontecido?
(fotografias cedidas pelo Omer)
Himalaias. 7 sete dias em viagem. Tibete - Nepal (1º Dia)
10.5.08
Pormenores
7.5.08
Chengu - Lassa
27.4.08
China
Canto. Som. Vermelho.
Os dias que vivemos na China ultrapassam o tamanho das palavras. Não há recantos descobertos dentro do meu ser que abranjam o tamanho de uma descrição. Devolvo-me às palavras soltas, ao abrir e fechar de olhos. Como um filme de imagens recortadas ao acaso, sem ordem, sem preparação. Cru. Só com a força dos pedaços soltos que acontecem.
Dragão. Fogo. Luz.
No meio de uma multidão que não nos esmagava. A viver a experiencia do lado contrário. Milhares de máquinas fotográficas paradas no espanto. Porque éramos nós a diferença. Queriam guardar-nos num retrato. O Dragão dançava o conhecido, a música e a festa cantavam felicidades repetidas. Nós. Nós tínhamos pêlos e olhos redondos, éramos altos como saídos de um filme. Abraços e sorrisos envolviam-nos com cuidado para não nos transformarmos num nada. Uma espiral de emoções apagava a necessidade de falarmos a mesma lingua. Éramos apenas aquele momento diluído de surpresa.
Toque. Cheiro. Passagem.
Pelo meio de ruas cobertas de pessoas, passos e fumo. A noção da individualidade perde-se no íntimo de cada um. Não há espaço livre, não há um cheiro conhecido, não há um sinal que os nossos olhos reconheçam. Deixamo-nos seguir pelo meio. Uma discussão sobe o tom de um canto, imaginamos facas e sangue, choros e corpos deitados ao chão. Esperamos o pior… Despedem-se com gargalhadas curvas e barrigas cheias de riso. Não temos tempo para nos sentir perdidos. No instante em que julgávamos a nossa interpretação alguém nos dava algo para a mão. Comida ou objecto? Experimentamos ou guardamos no bolso? À nossa frente um homem mínimo esperava a acção. Comemos. O sabor doce do desconhecido junta-se ao sorriso do vendedor. O que seria?
Medo. Curiosidade. Voz.
Numa estação de comboios onde as pessoas esperam por um dia que não sabem se será o seguinte. Juntas, apagadas pelo frio e por uma solidão profunda que se prolonga até aos nossos olhos sem uma palavra. Transformam as nossas cores num cinzento-escuro que nos atravessa o corpo e nos corta pedaços. À medida que passamos ficam espalhados pelo chão. O mesmo onde se sentam e dormem e esperam. Entrámos no comboio vazios de nós.
- O que é isso? – um estudante do quarto ano da Universidade, companheiro da longa viagem.
- Um saco-cama.
- Estou confuso… para que serve?
Como se explica o conforto, a suavidade?
Caos. E novidade sem fim.
Atravessar uma estrada, entrar num autocarro, perguntar onde estamos, saber o que comemos. Gestos simples são elevados à incompreensão. E nós, caídos num mundo novo e sem preparação, descobrimos vozes que estão para além da palavra. Aprendemos uma nova linguagem. A da existência.
C.
Os dias que vivemos na China ultrapassam o tamanho das palavras. Não há recantos descobertos dentro do meu ser que abranjam o tamanho de uma descrição. Devolvo-me às palavras soltas, ao abrir e fechar de olhos. Como um filme de imagens recortadas ao acaso, sem ordem, sem preparação. Cru. Só com a força dos pedaços soltos que acontecem.
Dragão. Fogo. Luz.
No meio de uma multidão que não nos esmagava. A viver a experiencia do lado contrário. Milhares de máquinas fotográficas paradas no espanto. Porque éramos nós a diferença. Queriam guardar-nos num retrato. O Dragão dançava o conhecido, a música e a festa cantavam felicidades repetidas. Nós. Nós tínhamos pêlos e olhos redondos, éramos altos como saídos de um filme. Abraços e sorrisos envolviam-nos com cuidado para não nos transformarmos num nada. Uma espiral de emoções apagava a necessidade de falarmos a mesma lingua. Éramos apenas aquele momento diluído de surpresa.
Toque. Cheiro. Passagem.
Pelo meio de ruas cobertas de pessoas, passos e fumo. A noção da individualidade perde-se no íntimo de cada um. Não há espaço livre, não há um cheiro conhecido, não há um sinal que os nossos olhos reconheçam. Deixamo-nos seguir pelo meio. Uma discussão sobe o tom de um canto, imaginamos facas e sangue, choros e corpos deitados ao chão. Esperamos o pior… Despedem-se com gargalhadas curvas e barrigas cheias de riso. Não temos tempo para nos sentir perdidos. No instante em que julgávamos a nossa interpretação alguém nos dava algo para a mão. Comida ou objecto? Experimentamos ou guardamos no bolso? À nossa frente um homem mínimo esperava a acção. Comemos. O sabor doce do desconhecido junta-se ao sorriso do vendedor. O que seria?
Medo. Curiosidade. Voz.
Numa estação de comboios onde as pessoas esperam por um dia que não sabem se será o seguinte. Juntas, apagadas pelo frio e por uma solidão profunda que se prolonga até aos nossos olhos sem uma palavra. Transformam as nossas cores num cinzento-escuro que nos atravessa o corpo e nos corta pedaços. À medida que passamos ficam espalhados pelo chão. O mesmo onde se sentam e dormem e esperam. Entrámos no comboio vazios de nós.
- O que é isso? – um estudante do quarto ano da Universidade, companheiro da longa viagem.
- Um saco-cama.
- Estou confuso… para que serve?
Como se explica o conforto, a suavidade?
Caos. E novidade sem fim.
Atravessar uma estrada, entrar num autocarro, perguntar onde estamos, saber o que comemos. Gestos simples são elevados à incompreensão. E nós, caídos num mundo novo e sem preparação, descobrimos vozes que estão para além da palavra. Aprendemos uma nova linguagem. A da existência.
C.
(publicado no Miniscente no dia 10 de Março)
Mahjong
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