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2.10.07

Pura Descrição. Equador


Hoje não escrevo, descrevo.
Às vezes canso-me. É normal, estou a viajar, nunca sei onde acordo no dia seguinte, o que vou comer, ver, absorver… E hoje estou cansada. Por isso não me vou isolar a escrever. Deixo os olhos em alvo e os pés longe do chão e venho para este cafezinho, a um canto de Quito, pura e simplesmente, descrever.

Relação Equador- Perú
- …mas és peruano? – pergunta o Miguel ao taxista pensando ter cometido uma gafe ao dizer que no Peru todos os carros são táxis.
- podes chamar-me gay, podes chamar-me ladrão, mas peruano … nunca!
(ficámos a saber)

Sem dinheiro nas Galápagos
Saber que se tem de pagar 100 dólares para entrar nas Galápagos é uma coisa, tê-los é outra completamente diferente.
- Podemos levantar dinheiro?
- Estamos numa base militar, não há multibancos.
- E podemos trocar Euros?
- Estamos numa base militar, não há casas de câmbio.
- E podemos pagar em Euros?
- Estamos numa base mi… Não.
Salvou-nos um Biólogo Galapaguenho que, achando pouco, ainda nos deu boleia e levou para sua casa.
(a vida é para os distraídos)

À deriva no Pacífico
Partiam de Santa Cruz duas embarcações para a Ilha Isabela às duas da tarde.
- As vossas mochilas são muito pesadas! Isto é uma lancha não um navio! – disse o único equatoriano antipático à face da terra.
- Está bem, então não vamos consigo. – o Miguel.
- Vá lá, pronto… entrem lá.
- Não, não queremos ir consigo. – a voz do vomidrine (moi meme)
E fomos para a outra lancha. Duas horas e meia depois pisávamos terra firme. A embarcação do senhor “simpático” perdeu o motor a meio do caminho. À deriva no Pacífico, sem luz, sem GPS, e com muitos vómitos e um grande susto depois lá chegaram já a manhã nascia.
(animais de sorte)

Lei seca
Chegámos das Galápagos. Sexta-feira à noite, a dormir no centro… perfeito para voltar a testar o nosso relacionamento com pessoas. Por que estão as ruas desertas? Por que não está ninguém nos bares? Por que se recusam a servir-nos vinho e cerveja?
- As eleições são domingo. Até segunda ao meio-dia não podemos vender nem consumir álcool.
- Mas nós não vamos votar!
- Se descobrirem que vos vendi vou preso quinze dias.
É obrigatório exercer um direito, no Equador. Quem não votar, além de ser preso quinze dias, não pode sair do país, inscrever-se na universidade, pedir um empréstimo… fica sem documentos. Para sempre. Até que uma futura lei os liberte.
(um tchim-tchim a Portugal)

Boletim de voto
Aaaaaaaaaaaaaaah… Claro que não se pode beber alcool. Claro que é obrigatório votar. Reparem bem na fotografia. É a nossa amiga Soledad com o seu boletim de voto! Frente e verso, meus amigos! Nada que demore mais de quinze, vinte minutinhos, se a lição estiver bem estudada.
(não, obrigada)

Não fomos à Selva, não subimos o Cotopaxi, não vimos os Lagos.
Estivemos no Paraíso da Evolução Darwiniana, conhecemos a respiração de Quito, a Soledad abriu-nos a porta de casa. Mostrou-nos como se vive no meio do mundo.
(somos todos tão parecidos)

C.
(30 de Setembro de 2007)

Eleições para Assembleia Nacional, Quito


Entrada para as Urnas (femininas. Não há cá misturas)

Plaza da Independência, Quito

Residência Oficial do Presidente da República, Rafael Correa (o mais novo da américa do sul, com apenas 42 anos e "guapíssimo", segundo a maioria feminina equatoriana).


Teatro de Rua, Quito


Centro Histórico, Quito



Contrastes.

Plaza Mayor, Quito


Centro Histórico, Quito


Plaza da Independência, Quito

Outros Olhares.

Plaza da Independência, Quito

Podia ser Portugal.

No meio do Mundo


La Mitad del Mundo

História do Mundo para ler no Miniscente