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5.12.07

Perito Moreno


Caminhada pela floresta para chegar ao Glaciar.

Glaciar Perito Moreno

O Miguel comemora a chegada à base do gigante de Gelo.

Sobre o Glaciar


Uma grande caminhada!

Trekking no Perito Moreno



Caminhando sobre o Glaciar

Glaciar Perito Moreno

Outra perspectiva. As pessoas ao fundo ajudam a perceber a imensidão deste monumento natural.

18.11.07

O Fim do Mundo. Ushuaia.


Compro sempre jornais por onde passo. Não tanto para saber o que se passa mas pelo puro, íntimo e silencioso prazer de o ler sentada num café desconhecido.

“El Diario Del Fin Del Mundo” desarmou-me à partida pelo nome. Trágico. Esperava ler notícias sobre o desaparecimento diário da Antárctida ou que o aumento progressivo do vento devastaria Ushuaia nos próximos dias. Receava até que, antes de virar a última página, os pinguins patagónicos estivessem extintos.

“Programa de inovação tecnológica”(?)
“XII Feira do Livro de Ushuaia com mais de 6000 visitantes”(?)

O quê?! Não tinha nas mãos o primeiro jornal que acompanhava o processo do fim do mundo? Afinal, há esperança. Este “Fin del Mundo” aqui no fim do mundo apenas nos deixa com as mãos sujas de tinta. E uma grande vontade de tocar no Sul.
C.

Canal Beagle, molhe antigo de Ushuaia

A visão que os velejadores levam de Ushuaia.

Canal Beagle

Para muitos destes veleiros este é o último porto antes de zarparem para a Antártida.

Noite em Ushuaia

São dez e meia da noite!

Ushuaia




Centro de Ushuaia

Tão longe...

Farol Les Eclaireurs

Mais conhecido por Farol do Fim do Mundo... Embora não o seja (existe um ligeiramente mais a sul na ilha de Los Estados) transmite-nos essa sensação.

Atravessando o Estreito de Magalhães


O que terá pensado Fernão de Magalhães quando o descobriu?
Nós sentimos que nos aproximávamos do Sul.

Entardecer na Patagónia




Às vezes pela janela de um autocarro pode-se assistir a um dos melhores espectáculos do mundo.

30.10.07

Argentina

(Cozinhamos ao jantar. Pomos a roupa a lavar regularmente. Vamos ao supermercado comprar pasta de dentes. Não queremos ver tudo num só dia… Começámos a viajar. Já não me sinto de férias. Pela primeira vez tenho consciência do que poderá ser um ano a viver assim, em deslocação. E se a deslocação é um lugar eu não queria estar noutro)

Mas… Argentina. Que era o que eu vinha aqui fazer!
Buenos Aires: sou eu. Respirei a cidade com essa surpresa, de me identificar em cada canto. Passo de mansinho para Iguaçu, para não ceder a tentações auto-biográficas.
Cataratas de Iguaçu: não cabem num rectângulo. Quando inventarem uma fotografia sem arestas talvez se consiga transmitir aquela imagem. Qualquer viagem (mesmo de 20 horas seguidas) é pequena comparada com aquela imensidão. O som. O som. Como se nos engolisse.
PATAGÓNIA:
Sobre a Patagónia lá terei que escrever um livro. (risos)
A primeira fotografia foi à nossa chegada, Península de Valdés. As baleias estavam a 15m da praia. Foi a altura em que mais temi por uma acção do Miguel. Observava a sua indecisão: entro ou não entro no mar? Entrou. Felizmente a água congelava e foi só até aos joelhos, porque aquelas meninas mediam entre 15 a 17 metros.
Quem me conhece sabe que só gosto de gatos e de sete cães (Maria, Fumaça, Arpão, Gaspar, Nata, Jose e Ulisses). Gosto mais ou menos de todos os outros animais e odeio de morte alguns… Até às Galápagos. Desarma qualquer um estar tão perto de animais impensáveis. Imaginava que só em África iria sentir algo igual… Até à Península de Valdés. Nada se compara à força de um salto de uma Baleia Austral, ao seu cantar, à suavidade com que brincam com o barco onde as pessoas (nós) se estendessem o braço lhes podiam tocar. Dificilmente vamos sentir algo parecido… E nem quero pensar que possa vir a dizer: Até à Austrália! Acho que os animaizinhos que por lá vivem não se resumem a cangurus.

A cidade seguinte foi só de passagem. Dormimos uma noite em Rio Gallegos e sobrevivemos. É tão linda como Alfragide. Com uma particularidade: foi o primeiro (desconfio que único) sítio em que agradecemos o peso da mochila. Aliás, podemos mesmo dizer que fomos os primeiros portugueses a serem salvos pela própria mochila. Não sabia que era possível o vento atingir aquela velocidade. Estivemos muito perto de atingir um sonho: voar. Quando conseguimos arrastar-nos até à paragem de um autocarro perguntámos:
- Esta tempestade vai continuar por muitos dias?
- Tempestade?
- Sim… mas… este vento costuma estar assim?
- Não. Estamos na Primavera. Costuma ser muito pior.

Comecei a perceber a Patagónia.

Todos os dias sinto que tudo o que temos vivido é demasiado para dividir apenas por dois. Gostávamos de actualizar o blogue mais regularmente. Não temos conseguido. Deixamos as Baleias falarem um bocadinho por nós e vamos viver mais Patagónia. Teremos muito para dizer.
C.

Dois Olhares - 2



Península de Valdés, Patagónia Argentina.

Baleia Franca Austral


Dois Olhares - 3



Península de Valdés, Patagónia Argentina.








Cores da Patagónia


Praia El Doradillo, Península de Valdés.

Salto de uma Baleia Franca Austral


Instantes finais de uma sequência de saltos protagonizados por este imponente animal, para uma plateia extasiada que o observava do barco a menos de cem metros.
É indescritivel o som que um ser vivo com 17 metros de comprimento e mais de 30 toneladas faz ao cair na água.